domingo, março 26, 2006

terça-feira, março 21, 2006

segunda-feira, março 20, 2006

consegues respirar debaixo de água?


estás dentro de mim. e eu gosto de ti dentro de mim. quero-te dentro de mim. para sempre! mas não quero isolar-te com a minha dor. vou arrancá-la do peito e enchê-lo de Mar.

domingo, março 19, 2006

nos milésimos de segundo que antecedem a queda penso...será o mundo inteiro uma gigantesca prisão?


















sempre o mesmo aquário. redondo. e todos os dias as mesmas pedras. a mesma comida. enlouqueço! quero sair! furiosa e desesperadamente dou um salto. com a impulsão consigo projectar o corpo para o exterior desta masmorra líquida.

sexta-feira, março 17, 2006

quarta-feira, março 15, 2006

segunda-feira, março 13, 2006

nascem-me cogumelos na pele


deito-me. a humidade cola-se (pegajosa) à minha pele. lambo-me e sinto o meu sal. e também o teu açúcar. então pergunto-me (enquanto continuo a lamber-me): ainda o teu sabor doce no corpo e já esta saudade insuportável? decido levantar-me e beber um copo de água. deito-me outra vez. e penso (enquanto lambo as costas): hoje vou jantar bifinhos aux champignons e comer-te em forma de saudade.

quarta-feira, março 08, 2006

oinc!...




















...ou os dias cinzentos em que sentimos um forte impulso de abrir o peito e arrancar o coração. com as nossas próprias mãos. enquanto os nossos próprios desenhos nos olham. pensativos.

domingo, março 05, 2006

la vache qui chante


















enquanto eu exprimo a alegria através de uma contracção especial dos lábios, da boca e dos músculos da face, acompanhada de sons desarticulados e de contracções abdominais.

sábado, março 04, 2006

a impossibilidade da comunicação. sou uma parede onde nascem algumas flores


às vezes, quando falam comigo, nascem-me flores no lugar da cabeça. a comunicação revela-se assim impossivel.

quinta-feira, março 02, 2006

o mar ilíquido



















tento não pensar. mas afundo-me num mar de pensamentos. e descubro todos os dias que ainda não sei nadar.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

terei subido alguns degraus?


quando olho para dentro de mim só vejo escadas. se descer, chegarei à Solidão? e se subir, encontrarei a Loucura? sento-me. decidir pode demorar quase uma vida. olho para o espelho. pareço diferente...

sábado, fevereiro 25, 2006

engoli a semente do vento pensando que era uma aspirina

















logo depois senti: no copo uma tempestade. no corpo outra ainda mais violenta.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

a insegurança das mãos
























às vezes nascem seres estranhos nas extremidades dos lápis. e depois tenho medo de desenhar. porque podem morder-me.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

canso-me desta pele opaca
























quando puderes rasga-me a pele. queres? e engravida-me com o teu sorriso...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

tenho que lavar a boca com champô anti-caspa!

























envolvi-me com a primeira sombra que encontrei. e mastiguei, na escuridão, as tuas palavras. com a fúria de quem quer esquecer. sujaram-me os dentes. agora não quero sorrir nunca mais. penso:

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

a insustentável leveza da Vida


escondo-me de mim. não quero encontrar-me. porque, se isso acontecer, encontrar-te-ei a ti. algures. dentro de mim. na curva de uma veia. ou no canto de um osso. na raiz de um cabelo. a mastigar-me. para me lembrares que existes. e que eu existo. e que o Tempo passou enquanto eu olhava para o relógio. escondo-me. sem querer, caio num buraco. sem fundo. vejo as estrelas que estão no outro lado à medida que vou atravessando as entranhas da Terra. então penso, se não me agarrar a nada cairei a Vida inteira. e a Morte inteira também.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

07:15
















...a esta hora não há barcos para o Esquecimento!

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

terça-feira, janeiro 31, 2006

saudade




















comecei por engolir a tua fotografia. depois arranquei os olhos e engoli-os para te ver. depois queria abraçar-te e engoli todo o meu corpo. mas fiquei ainda mais só dentro de mim.

domingo, janeiro 29, 2006

quero-te!


















da boca saem-me cordas para te prender. pois com palavras não conseguiria desatar-te.

sábado, janeiro 28, 2006

paisagem interior


quero as tuas mãos quentes. aquecem a minha pele fria. de serpente. e limpam-me o corpo desta saudade cor-de-sal. quero arder todos os dias no desejo de encontrar-te. à noite. sem as tuas mãos sou como uma árvore que amou o fogo. sem antes beber um copo de água.

terça-feira, janeiro 24, 2006

quinta-feira, janeiro 19, 2006

quarta-feira, janeiro 18, 2006

sou um saco!

havia nevoeiro quando trepei pelo silêncio e me sentei na Lua. somos sacos que carregam Almas, pensei. quero ser uma Cadeira.

terça-feira, janeiro 17, 2006

domingo, janeiro 15, 2006

- Tu é que és dEUS?

...outra morte.


se as minhas mãos fossem asas esvoaçando entre nuvens cinzentas... mas dentro do meu peito batem as horas cansadas e os meus olhos sentam-se à beira do rio e aguardam...

sábado, janeiro 14, 2006

mal passada, por favor!


ter sobre o corpo uma cabeça de elefante. a memória num prato. e comê-la. em silêncio.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

amizade

apunhalei uma palavra e caí dentro do buraco que lhe provoquei. era uma palavra grande, onde cabiam muitas outras. e eu, olhando para cima, achei que nunca iria conseguir sair dali.

amor

pintei as minhas mãos de verde e ergui-as no céu. como duas árvores. nelas poisaram duas aves que se amaram entre os ramos. as minhas mãos cresceram cada vez mais...

terça-feira, dezembro 27, 2005

rocha.
























vagueava no espaço. hei-de cravar as unhas na Vida até ver o sangue escorrer, pensei. logo a Morte me disse "a Vida é absurda!" e eu acreditei. transformei-me numa...

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Ops!


se Deus cair hoje dentro do meu copo de Água bebo-o. e amanhã nascer-me-á um Umbigo na barriga da perna.

não quero ser deste mundo!

encontrei-me numa rua estreita ladeada de palavras por dizer. fiquei parada a ouvir o silêncio. decidi então que já não queria viver neste mundo grande e complexo. entrei dentro da cabeça de um homem pequeno e simples. havia luar e por isso conseguia ver.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

o Tempo perdido

indo tu e eu a caminho de um planeta qualquer, o inevitável aconteceu. sentámo-nos numa pedra a chorar a nossa perda. apareceu um caracol que nos olhou sorrindo e disse que procurava o Suicídio. logo a seguir afogou-se numa lágrima nossa. ficámos a pensar.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

analgésico

senti esta madrugada como um peso infinito sobre a cabeça. morro aqui soterrada de palavras, pensei. abri um buraco na terra e enterrei o coração.